Integrantes do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificaram a condução dos trabalhos como uma “decisão política” para evitar o avanço de investigações. Eles atribuem o entrave ao fato de o presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), ser aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e sua família. “A bancada do PT lamentou o fato de o presidente da comissão, o senador bolsonarista Carlos Viana (Podemos-MG), ter ignorado o regimento do Congresso, que estabelece regras de funcionamento das comissões, e ter encerrado os trabalhos da CPMI sem submeter à votação o relatório da maioria”, diz o comunicado do partido.



O relatório elaborado pela maioria apontava que as irregularidades tiveram início em 2017, mas ganharam escala a partir de 2019, durante o governo Bolsonaro. Segundo integrantes da base, as apurações sobre o esquema avançaram durante o terceiro mandato de Lula, quando foram iniciados processos de ressarcimento. A reunião começou pouco antes das 10h de sexta-feira (27/3), e terminou depois da 1h da madrugada do sábado (28/3). O relatório oficial apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) foi rejeitado por 19 votos contrários e 12 favoráveis.

O documento não apreciado pede o indiciamento de 201 pessoas, sendo 130 de forma imediata e outras 71 para aprofundamento das investigações. Entre os nomes citados estão o próprio Bolsonaro, apontado como “cérebro” do esquema, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por suspeita de lavagem de dinheiro, além de aliados políticos. Parlamentares governistas afirmam que a presidência da CPMI descumpriu o regimento ao não designar um relator para apresentar o voto vencedor. Para o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo na comissão, a decisão impediu a conclusão formal dos trabalhos. Ele afirmou que a maioria tinha o direito de aprovar seu parecer e que a interrupção ocorreu para evitar o indiciamento do ex-presidente.















