O governo Lula (PT) pretende usar a pressão da opinião pública caso o projeto que acaba com a escala 6×1 sofra empecilhos ou atrasos no Senado. Após aprovação na Câmara, ontem, a oposição quer tentar barrar ou adiar o projeto no Senado. Com pressão aberta do setor produtivo, em especial da CNI (Confederação Nacional da Indústria), parlamentares têm buscado entraves para aprovação da legislação. O PL, por exemplo, lançou uma proposta de jornada 4×3, teoricamente mais ousada do que a atual, para tentar tumultuar a votação, acusam governistas.

A relação com o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), também está longe dos melhores dias. Diferentemente do acordo que fez com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o governo não espera qualquer interlocução com o parlamentar. Ele e Lula não conversam desde a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal). Alcolumbre tem prometido não criar entraves, mas o governo não confia. No Planalto, a impressão é que, politicamente, o senador não fará nada para ajudar na pauta e não tem mostrado muito entusiasmo sobre o assunto, embora também não se posicione de forma contrária.A avaliação é que, em ano eleitoral, ninguém quer ficar marcado por não dar mais folga ao trabalhador —e o governo pretende se aproveitar disso. Caso sinta resistência por parte da mesa diretora e da oposição nas conversas, não exatamente com uma rejeição à pauta, mas por criação de entraves, o governo pretende “jogar para a torcida”.

O deputado Rogério Correia (PT-MG) explicitou a estratégia em meio à votação na Câmara ontem. “Falei aos sindicalistas na reunião de ontem que preparem, inclusive, uma greve geral, se for necessária, porque este é o momento de ter conquista, e vão tentar barrar no Senado. Essa é a primeira foto: Alcolumbre com a alta burguesia nacional”, sugeriu o parlamentar. O plano é acionar parlamentares, lideranças sociais e até ministros pela pauta. Com campanhas e memes na internet, a base e o governo apostariam no discurso de que o Parlamento é “contra o povo” ao não dar andamento a uma proposta que, dizem eles, será benéfica para toda a população.
















