A captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelas forças militares dos Estados Unidos colocou todos os olhos sobre Delcy Rodríguez, a vice-presidente escolhida pelo mandatário como seu braço direito. No final da tarde de sábado (3/01), após a captura do presidente, a Suprema Corte determinou que Rodríguez assumisse a chefia do Estado diante da “ausência forçada” de Maduro. Em comunicado, a presidente da Sala Constitucional do tribunal, Tania D’Amelio, argumentou que a Constituição atribui à vice-presidência a função de substituir o presidente em caso de ausência temporária ou definitiva.



A magistrada referiu-se à operação militar norte-americana que deteve Maduro e sua esposa como um “sequestro” e uma “agressão estrangeira”. Com a nomeação de Rodríguez como presidente interina, o tribunal lhe concede o poder de liderar “a defesa da soberania” e “preservar a ordem constitucional” da Venezuela, disse o comunicado assinado por Tania D’Amelio. Horas antes do pronunciamento do tribunal, a nova presidente interina também condenou a ação dos EUA e classificou a captura de Maduro e sua esposa como “sequestro ilegal e ilegítimo”.
“O que está sendo feito com a Venezuela é uma barbaridade”, afirmou Rodríguez em discurso transmitido em rede nacional de rádio e televisão. “Cercá-la, bloqueá-la é uma barbárie que viola todos os mecanismos do sistema internacional de direitos humanos e constitui crimes contra a humanidade. Que nenhum bloqueio tente mudar a vontade deste povo”, acrescentou, convocando venezuelanos a saírem em defesa de seu país. “Na Venezuela, só há um presidente, que se chama Nicolás Maduro Moros.” Com essas palavras, ela respondeu ao que foi dito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a primeira coletiva de imprensa após a captura de Maduro.

Delcy Rodríguez começou sua ascensão na hierarquia política durante o governo de Hugo Chávez, quando chegou pela primeira vez ao gabinete para ocupar por alguns meses o Ministério do Despacho da Presidência. Mas foi após a chegada de Maduro ao poder que ela ocupou vários cargos no topo do Poder Executivo. Inicialmente, foi ministra da Comunicação e Informação, ministra da Economia e chanceler. E, recentemente, ascendeu à vice-presidência executiva, além de acumular as responsabilidades de ministra do petróleo (Ministerio del P.P. de Hidrocarburos).















