O veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto que reduziu as penas de envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro deve impulsionar, mais uma vez, os debates sobre a defesa da democracia no Congresso Nacional, tema que deve ser explorado pelo governo nas eleições de outubro. Lula vetou o projeto durante cerimônia no Palácio do Planalto, em alusão aos três anos das invasões às sedes dos Três Poderes em Brasília. Os presentes à cerimônia comemoraram a decisão do petista. Apesar de o presidente barrar a medida, a palavra final cabe ao Congresso. Se a maioria absoluta de deputados e senadores resolver derrubar o veto, a redução das penas entrará em vigor.



A data da sessão do Congresso será definida pelo presidente Davi Alcolumbre (União-AP). A oposição no Congresso quer uma sessão extraordinária para analisar o tema antes do final do recesso (leia mais abaixo). O cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Murilo Medeiros, aponta que é de interesse do governo reacender a pauta e rivalizar desde já com a oposição, especialmente quando o candidato que se coloca como adversário de Lula em outubro tem o sobrenome Bolsonaro. “O presidente Lula vai usar o episódio do veto para marcar posição e fazer o confronto com o bolsonarismo em relação ao tema da democracia. Vai fazer dessa pauta uma trincheira para as eleições de 2026 e com isso alimentar e reacender a polarização que foi peça-chave na última eleição. É uma antecipação do que vamos presenciar nas eleições”, afirmou.

Segundo Medeiros, o presidente tenta repetir a mesma dinâmica da última eleição presidencial para tentar atrair o eleitorado moderado. “É uma estratégia pré-eleitoral, para mobilizar a sua base”. Apesar disso, o tema não deve mobilizar a população em grandes manifestações, como aconteceu quando a PEC da Blindagem foi aprovada na Câmara. De acordo com Medeiros, o tema deve ficar limitado à disputa ideológica e aos eleitores já convertidos.
















