A União Europeia (UE) divulgou, ontem, uma lista de países autorizados a exportar carne para o bloco dentro das novas regras de controle do uso de antibióticos na pecuária a partir de setembro. O Brasil ficou fora da relação, que foi validada pelos Estados-membros e inclui países vizinhos, como Argentina, Colômbia, México e Uruguai, considerados em conformidade com as exigências sanitárias europeias. A decisão ocorre em meio às pressões de agricultores europeus, principalmente da França, após a entrada em vigor provisória do acordo de livre-comércio entre a UE e o Mercosul neste mês. O tratado ainda aguarda definição judicial sobre a validade no bloco europeu.



Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não foi incluído por ainda não ter apresentado garantias suficientes sobre a restrição ao uso de determinados antimicrobianos na produção animal. Apesar disso, autoridades do bloco afirmam que a lista poderá ser revista futuramente, caso as pendências sejam atendidas. A UE é um dos maiores parceiros comerciais do Brasil e um importante destino das exportações de carnes brasileiras. Em 2025, o país vendeu US$ 1,8 bilhão de proteínas bovina e de frango ao bloco que reúne 27 países, consolidando-se como o segundo maior mercado, atrás apenas da China, responsável por US$ 9,8 bilhões, no mesmo período.

A divulgação da lista foi interpretada como uma resposta às críticas do setor agrícola sobre a concorrência externa. O comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, disse que os padrões sanitários do bloco são rigorosos e que é legítimo exigir que produtos importados cumpram os mesmos requisitos aplicados internamente. “Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos”, afirmou. Pelas regras da UE, é proibido o uso de antimicrobianos em animais com o objetivo de acelerar o crescimento ou aumentar a produtividade. A legislação também veta antibióticos considerados essenciais para o tratamento de infecções humanas. As restrições integram a estratégia do bloco para conter a resistência bacteriana e reduzir o uso considerado indevido de antibióticos na produção pecuária.















