O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) celebra, hoje, os 30 anos da urna eletrônica, mas em um cenário pré-eleitoral em que a polarização política ainda prevalece. Se, nos meses que precederam a eleição de 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores atacaram não apenas a lisura do pleito, mas lançaram — por meio de todo tipo de mentiras — desconfianças sobre um equipamento cuja excelência de funcionamento é reconhecida em vários países, para o pleito de outubro, pelo menos por ora, está pacificado que o formato de votação adotado há três décadas continua a ser seguro e representativo da vontade do eleitor.


Em artigo publicado na edição de ontem do Correio, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Mário Velloso — presidente da Corte entre 1999 e 2001 e que esteve à frente do TSE quando da implantação do novo sistema eletrônico de votação —, enfatiza que a urna informatizada foi o rompimento do país com um passado de irregularidades cometidas contra a sociedade. “A urna eletrônica veio, sobretudo, para afastar as fraudes, para tornar mais seguras as eleições. Ela está engajada na revolução dos computadores. Tudo hoje é informatizado, bancos, comércio, sociedades empresárias, cartões de crédito, repartições públicas, tribunais, empresas aéreas, aeroportos. A urna eletrônica é auditável antes, durante e depois das eleições. Ela veio para ficar”, assinala.

Ainda segundo o ministro aposentado do STF, “a urna eletrônica torna mais legítimas as eleições — assim, a democracia que praticamos (…), que Winston Churchill (…) proclamou que ‘é o pior dos regimes politicos, com exceção de todos os outros que foram praticados’. A urna eletrônica brasileira nos faz orgulhosos de ser brasileiro”. O movimento contrário ao sistema de votação chegou ao ápice quando Bolsonaro — condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por chefiar uma quadrilha que tentou dar um golpe de Estado no Brasil — atacou as urnas em uma transmissão ao vivo, em 29 de julho de 2021, e em reunião com mais de 70 representantes de nações estrangeiras, em 18 de julho de 2022. Esse encontro, transmitido pela tevê estatal, levou à inelegibilidade do ex-presidente, decidida pelo TSE em 30 de junho de 2023.

Na mesma direção do ministro aposentado Carlos Mário Velloso, Neves lembra que o sistema informatizado de votação veio para substituir as urnas de lona, que estavam sujeitas a todo tipo de fraude. As mais comuns eram a inserção de votos em favor de um candidato antes mesmo de começar a votação e a entrega da cédula ao eleitor já marcada no nome de algum político — prática que deu origem à expressão “curral eleitoral”. A urna eletrônica conta, atualmente, com mais de 30 camadas de segurança e criptografia de ponta.














