O governador Jerônimo Rodrigues (PT) parece ter sido desaconselhado a circular entre o povo neste Carnaval. Optou por espaços controlados, ambientes fechados e agendas cercadas basicamente por secretários e aliados, longe do contato direto com a multidão. A estratégia, talvez, leve em conta o trauma dos anos anteriores, quando ele se arriscou entre o povo e teve uma recepção indesejada, com vaias e protestos. No último ano de mandato e ainda sob pressão pelo desgaste da gestão, o petista evitou até mesmo espaços tradicionalmente frequentados pela esquerda, como a saída do Ilê Aiyê, o desfile dos Filhos de Gandhy e a Mudança do Garcia. Para Jerônimo, o Carnaval deste ano passou longe de ser sinônimo de festa de rua.


Sem o saldo que imaginava ter em Salvador, Jerônimo mirou a agenda para capitalizar a programação carnavalesca no interior, o que também não deu muito certo. Em Paramirim, a recepção foi visivelmente esvaziada, conforme registros que circularam nas redes sociais. Até porque a população de lá aguarda a conclusão da construção de uma escola e parece não ter mais paciência para as novas desculpas que o governador apresenta toda vez que vai lá. Nem mesmo o ambiente momesco ofereceu uma trégua às cobranças contra as promessas não cumpridas por Jerônimo.

Nem mesmo a presença do presidente Lula (PT), que tinha a pretensão de dar um fôlego à imagem do governador, teve o efeito prático esperado. Lula ficou no camarote oficial do governo do estado no Campo Grande o tempo suficiente para ouvir saudações de militantes posicionados em um trio elétrico, num roteiro claramente organizado. Mais uma vez, a estratégia priorizou o recorte editado para as redes sociais, não o contato espontâneo com o folião comum. A interação real com o povo passou longe. O cenário montado para garantir aplausos, inclusive, pode gerar questionamentos na Justiça Eleitoral, diante da conotação de promoção pessoal em ambiente custeado pelo poder público e do evidente tom de pré-campanha eleitoral.
Coluna Pombo Correio – Jornal Correio da Bahia.














